Fazendeiros propõem greve no campo

Antonio Pinho

Andaterra, uma associação nacional de produtores rurais, promove a Semana da Dependência, uma espécie de greve no campo para chamar a atenção das autoridades e da opinião pública às ameaças contra a propriedade privada

semana da dapendência
Os brasileiros estão acostumados, de tempos em tempos, a ter sua rotina alterada por cíclicas greves nas grandes empresas, em sua maioria estatais cujos sindicatos são, hegemonicamente, controlados por partidos de esquerda. Já é “normal” que, em alguma época do ano, acabemos recebendo a correspondência atrasada em virtude de greve nos Correios, ou mesmo tendo que faltar ao trabalho por paralisação dos funcionários do transporte público. Mesmo tendo um ou outro contratempo, a vida segue seu rumo normal (ou quase). Mas agora imagine se, por uma semana, grande parte dos produtores rurais parassem completamente suas atividades. Certamente o impacto na vida cotidiana seria bem maior que a falta de ônibus. Em caso de greve, vans facilmente cumprem a função dos ônibus, mas pouco pode ser feito caso ocorra falta de alimentos.

Quem propõe uma “greve dos fazendeiros” é a Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra (Andaterra), que promoveu a Semana da Dependência, nome que faz uma clara referência ao Dia da Independência. A Andaterra propôs aos produtores rurais que paralisassem suas atividades de 20 de agosto a 10 de setembro. Obviamente, o objetivo da Semana da Dependência não é causar falta de alimentos, mas chamar a atenção para o total descaso com que o atual governo trata o agronegócio, setor que corresponde a um terço do PIP nacional. Apensar da enorme contribuição do agronegócio à economia nacional, de acordo com o advogado Jeferson da Rocha, um dos organizadores da Semana da Dependência e membro da Andaterra, “o produtor rural está sendo criminalizado”.

Para a divulgação da Semana da Dependência, a Andaterra promoveu no dia 29 de agosto um evento na Unoesc, campus de Xanxerê, que contou com a presença do príncipe Dom Bertrand de Orléans e Bragança, bisneto da princesa Izabel, que proferiu uma palestra intitulada “O direito de propriedade do Brasil de hoje”.  A palestra de Dom Bertrand foi precedida pela de Jeferson da Rocha, que apresentou a Andaterra ao público. Segundo Jeferson, a Andaterra, que nasceu na cidade catarinense de Capinzal, conta atualmente com a participação de 4 mil produtores de várias regiões do país.  Esta associação tem como principal objetivo a defesa do produtor rural e o direito à propriedade. Jeferson da Rocha salientou que o direito à propriedade está ameaçado, principalmente em virtude da ação de certos grupos com interesses ideológicos, como o MST, e da indiscriminada demarcação de terras indígenas.

Logo após a fala de Jeferson, o advogado Ubiratan Maia, também membro da Andaterra, apresentou a pauta de reivindicações da Semana da Dependência dos produtores rurais catarinenses. No primeiro ponto da pauta pede-se pela paralisação imediata da demarcação de terras indígenas no estado, em respeito ao marco temporal definido pelo STF em 1988. Fundamentou-se nos seguintes dados: na atualidade 13% do território do Brasil já é formado por terras indígenas, e a Funai quer ampliá-la para 25%, sendo que bem menos de 0,5% da população brasileira se declara como índio. No segundo ponto há a proposta da criação de patrulhas rurais, que seriam formadas por meio da ação conjunta das polícias civil e militar, para a defesa da propriedade e no combate a ações criminosas no campo como, por exemplo, a invasão de terras. Por último, propõe a majoração da pena do crime de invasão de terra de 1 para 12 anos, transformando-o em crime de ação pública incondicionada, ou seja, a ação da polícia independeria do registro da ocorrência por parte da vítima. O interessante é que esta pauta foi apresentada e defendida por um indígena. Ubiratan é membro da aldeia de Chapecó, e relatou que, por causa da conquista de uma grande independência em relação a Funai, os indígenas de Chapecó tem prosperado muito economicamente por meio de atividades agrícolas. Ubiratan afirmou que nesta aldeia já existem indígenas de classe média alta. Se continuassem reféns da Funai, certamente os índios de Chapecó viveriam dependendo das esmolas do governo, como ocorre pelo Brasil a fora.

Após as falas de Jeferson da Rocha e Ubiratan Maia, teve início o momento principal do evento, que foi a palestra de Dom Bertrand que focalizou sobre a questão da propriedade privada e a livre iniciativa. O evento contou com a presença de grande público, formado em grande parte por estudantes da Unoesc. Desde o início Dom Bretrand deixou claro seu ponto de vista baseado na doutrina cristã. “Graças a Deus eu sou católico”, declarou o príncipe, que ressaltou a importância do cristianismo na formação da Civilização. “Os homens como criaturas de Deus nascem livres. Portanto, o homem é livre para escolher o melhor para sua vida, e não o Estado.” O príncipe citou a encíclicaRerum Novarum, do Papa Leão XIII, para fundamentar sua visão de que a propriedade privada é inviolável, um direito divino. Para Dom Bertrand “a propriedade privada resulta da boa ordem com que Deus criou o mundo”. Criticou a visão de que o Estado deve fazer tudo. Defendeu que o Estado deve fazer somente aquilo que o conjunto da sociedade não capaz de realizar por si. Ressaltou, portanto, o papel da iniciativa privada que deve estar livre para agir, e o Estado não pode dificultar a sua ação. O príncipe citou, como exemplo, vários dados que mostravam como a saúde e educação pública  custam muito mais que os serviços privados e têm, por outro lado, qualidade muito inferior. O príncipe defende, portanto, um Estado mínimo que garanta a liberdade de cada pessoa de escolher o melhor para si, pois quando o Estado cresce tende à tirania, ao totalitarismo. Tratando ainda sobre o Estado brasileiro, condenou o enorme número de leis, lamentando que nos dias atuais “tudo está regulamentado”. “A vitalidade de uma sociedade vem de baixo para cima, e não de cima para baixo”. Foi desta forma que Dom Bertrand ilustrou a importância da família para a vitalidade da nação em detrimento da importância do poder estatal. O direito a propriedade privada, a livre iniciativa, a prática da religião: todos estes são direitos naturais que vêm antes do Estado, e não a partir dele.

Dom Bertrand também defendeu o direito do cidadão de possuir armas para a sua defesa pessoal. Salientou também o papel central da família na educação e na formação da sociedade. Disse, contrariando a visão comum estatizante, que “o primeiro responsável pela educação não é o Estado, é a família”. Por fim, Dom Bertrand posicionou-se claramente contra o atual modelo governamental de reforma agrária, as invasões de terra e a demarcação de terras indígenas. Todas estas são, a seu ver, ameaças ao direito de propriedade. O príncipe defende que a civilização e a religião cristã devem ser levadas aos índios, os quais não querem viver em “zoológicos humanos”, expressão que utilizou para descrever a forma que o governo tem tratado as comunidades indígenas, isolando-as do convívio normal com a civilização, impedindo seu pleno desenvolvimento. Ou seja, a forma com que a Funai trata os índios os priva de entrar em contato com os benefícios da civilização, deixando-os totalmente dependentes de políticas assistencialistas do governo.

Ao fim de sua palestra, que durou por volta de 1 hora, Dom Bertrand foi aplaudido de pé com entusiasmo pela jovem assembléia, que não apresentou objeções às ideias defendidas na palestra. Seguiu o lançamento da quarta edição do livro Psicose ambientalista, de autoria do próprio Dom Bertrand.

No dia seguinte, Dom Bertrand foi à cidade de Zortéa em visita a fazenda Novo São Pedro, de propriedade da família de Jeferson da Rocha, que é especializada na produção de soja e criação de gado. Dia 31 de agosto, o príncipe foi à cidade de Treze Tilhas reunir-se com a cônsul honorária da Áustria, Anna Lindner Von Pichler.

Em entrevistas que concedeu a mídia local, tando em Xanxerê quanto em Treze Tílias, Dom Bertrand falou sobre a mentira do aquecimento global e da total histeria com que a questão ambiental é tratada por grupos de extrema esquerda, temas longamente abordados em Psicose ambientalista. Este livro mostra como grande parte do território brasileiro ainda está totalmente intocado. Portanto, a visão dos ecochatos e ecoterroristas de que o meio ambiente está gravemente degradado não condiz com a realidade. Dom Bertrand mostra com base em sérios estudos científicos que o Brasil é uma das nações que menos poluem em relação a sua área e população, e que tem a natureza melhor preservada. A seu ver, não faz sentido a ideologia que prega que a natureza deve ficar intocada. Isso vai contra a própria Civilização. O homem deve é utilizar sabiamente os recursos naturais.

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