Comentários a partir do jornal “Zero” da UFSC – Parte 2

Augusto Pola Júnior

Daremos agora prosseguimento à análise dos ocorridos na UFSC relatado pela edição especial do jornal “ZERO” – o jornal do curso de jornalismo da UFSC, cuja edição pode ser lida na íntegra aqui. No artigo anterior, é possível se inteirar a respeito do conflito entre polícia e estudantes. Prossigamos.

ufsc zero

Na página 10, temos a matéria “Embate gera polarização no campus. Como é sabido, após o confronto com a polícia, os esquerdistas decidiram invadir a reitoria e fazer reivindicações contra a polícia no campus. Ocuparam a reitoria no dia 25 de março e ficaram até sexta, saindo após o embate com estudantes de outros centros, em especial, o CTC (Centro Tecnologia que abriga os cursos de engenharia). Marcou durante esse período a falta da bandeira do Brasil no lastro em detrimento de uma bandeira vermelha. Na sexta-feira, na terceira tentativa e com a ajuda do guindaste da prefeitura da UFSC, a bandeira do Brasil, trazida pelos alunos contrários à ocupação, voltou a ocupar seu merecido lugar. Vamos aos trechos interessantes da matéria:

“Enquanto um profissional subia para fazer o hasteamento, os recém-chegados [a turma do CTC] voltaram a gritar “vai trabalhar!”; em resposta, os defensores da ocupação gritavam “viva o trabalhador!” […]

Eu fico aqui me perguntando… Que moral estudantes baderneiros têm para se considerarem do lado do trabalhador? Os esquerdistas não são sequer capazes, como pôde ser observado no episódio inteiro, de respeitar seu local de estudo, a lei e a ordem, mas não obstante se consideram os paladinos dos trabalhadores. Se a turma pró-maconha valorizasse o trabalho, teriam que ser os primeiros a darem exemplo de maturidade ao invés de “brincar” de fazer revolução. Os trabalhadores demandam ordem e respeito, coisa que seus falsos representantes são incapazes de proporcionar.

Houve também uma bandeira da “diversidade”, aquela do movimento gay, que foi hasteada porque um esquerdista foi bem sucedido ao escalar até o topo do mastro. Ao relatar isso, a matéria é finalizada com o seguinte parágrafo:

“[…] O expediente não havia terminado. Um rapaz se destacou rapidamente da multidão que defendia a ocupação. Em poucos segundos, escalou outro mastro, retirando do bolso uma bandeira de sete cores. Hasteadas lado a lado, os dois símbolos indicavam a divergência político-ideológica entre os estudantes da UFSC”.

Felizmente o lado em favor da ordem democrática saiu vitorioso, do contrário a universidade seria uma republiqueta socialista de maconheiros e sem segurança, pois a polícia estaria proibida de operar.

Na página 11, uma matéria voltada às reivindicação esquerdistas do pessoal que ocupou a reitoria. Título: Ao ocupar a reitoria, estudantes de esquerda exigem PM fora da USFC.

O curioso é que entre os pedidos, está a contratação de mais seguranças para a universidade. Sim, eles querem mais segurança no campus, mas menos polícia:

“[…] assim como contratar seguranças universitários que “visem a segurança de todos os estudantes, professores e técnicos administrativos em educação, e não apenas o patrimônio material da UFSC”, como ocorre nos contratos vigentes.”

O motivo é simples: querem seguranças sem poder de polícia para poderem fumar tranquilamente e não correr o risco de terem sua maconha roubada… O parágrafo ainda prossegue:

“Também são reivindicações a elaboração de um plano de segurança para universidade com ampla participação da comunidade e a realização da 1a Semana de Desmilitarização da PM. Caixeta argumenta que “a PM nos remete ao período ditatorial, e sua desmilitarização é inclusive uma recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU).”

É preciso ficar atento ao dialeto típico dos esquerdistas. Quando dizem que querem um plano de segurança para universidade e que este plano seja elaborado através de uma “ampla participação da comunidade”, isso significa que eles pretendem dominar as reuniões e fingir que foi uma decisão que “ouviu toda a universidade”. Essa tática é antiga, dos tempos anteriores à ditadura militar, já foi relatada aqui.

A desmilitarização da polícia é mais direta. Querem aumentar a insegurança para que o Estado tenha mais poder de manobra e concentração de poder. Esquerdismo é isso! Pretextos para que no final aja aumento do inchaço estatal! A desmilitarização da PM resulta em uma estratégia de concentrar o poder da polícia ao governo federal, tirando-as dos governos estaduais. Não preciso dizer o perigo que é o monopólio do poder de fogo na mão de um líder! Temos Cuba, Coréia do Norte e também a Venezuela mostrando o que resulta essa “brincadeira”. Percebe-se que o argumento de Caixeta beira o cinismo patológico! Ele tem medo da ditadura, mas defende uma polícia que tem como resultado a facilitação de se articular para a instalação de uma ditadura repressiva no país.

Por fim, dispensando comentários (na verdade eu não resisti e adicionei comentários em colchetes), as organizações que estava envolvidas na ocupação da reitoria. O fato de haver uma Gozze, já evidência que se tratou de uma putaria…

“O Zero identificou algumas organizações e coletivos [lembrei de ônibus quando li isso] presentes na ocupação: Grupo Negro 4P, Coletivos Kurima, Feminista SOMOS PAGU [hehehehe, mas se perguntar quanto é o programa, vão te chamar de “machista”], UFSC à esquerda de Luta [promoção de baderna é o método para a luta, bem civilizada é essa esquerda…], Vadias Desterro [só faltou o “e merecemos respeito”. Esse feminismo…], Brigadas Populares e Coletivo pela Diversidade Sexual – Gozze!, Passa Palavra, Movimento Passe Livre [Passe livre também pela maconha, como se percebe], Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) [mas ao invés de trabalhar, estão brincando de revolução comunista], Partido Comunista Brasileiro (PCB), a Juventude Comunista Avançando (JCA), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) [Liberdade igual em Cuba].”

Uma nova entrevista se apresentou na página 12. Dessa vez com o tenente-coronel Araújo Gomes, responsável por ter acionado a Tropa de Choque após o chamado da PF. O título da entrevista: “Para militar, uso de força foi necessários”. Vamos aos destaques:

“O Senhor acha que realmente havia necessidade?
Gomes: Da maneira como evoluiu, sim.

 

Dois policiais da PM e 13 alunos ficaram feridos. Não houve uma reação exagerada da polícia?
Gomes: Na verdade, é muito interessante que alguns meios que nós utilizamos tenham uma estética pesada, negativa, com resultados poucos ruins. Então, quando você fala gás lacrimogêneo, ele veio substituir o uso do cassetete. Também é interessante achar que deve haver uma proporção no número de feridos, esquecendo que do lado do Estado, do lado da polícia, o que você tem são trabalhadores realizando seu trabalho. Então é natural que eles tenham equipamentos e técnicas de proteção, para que se machuquem menos. E pelo contrário, o que é lamentável é que dois trabalhadores tenham se machucado por ação intencional de terceiros. Se a gente fizer uma relação com outras profissões, vai ver que em nenhuma outra profissão se considera natural levar pedrada, ser chutado, xingado, ser atingido por coquetel molotov, como parece que se tornou senso comum de ser parte do trabalho policial. E não é.

Em suma, é o que já foi dito no artigo anterior. O estopim foi a resistência ao trabalho da polícia. Resistência essa, como ficou bastante nítido, intencional. Pessoas se machucaram, inclusive dois PMs, que, apesar da tentativa de desumanização das hordas de esquerda, são trabalhadores e cidadãos brasileiros.

Na pergunta seguinte, dá a impressão que tentaram tirar o ás na manga para tentar moldar a polícia como malvada:

“Encontramos uma das granadas de pimenta que foi jogada no bosque, com validade de março de 2013. Na embalagem está escrito que a granada oferece risco se utilizada fora da data de validade. O senhor sabia disso? Sabe quais são os riscos?
Gomes: eu não sei, porque a Tropa de Choque administra o próprio material. O risco é de ela não ser acionada, que foi o que aconteceu.

 

Mas na embalagem está escrito que oferece risco se utilizada…
Gomes: Claro, para o policial, se ela não funciona.”

Espero que tenham percebido que o mundo não gira em torno do umbigo da ideologia esquerdista…

Na mesma página, abaixo da entrevista, um pequeno quadro-matéria dizendo que “Apenas 15% dos vigilantes são servidores”. Isso tem relação com aquela reivindicação dada pelos ocupantes para contratar mais seguranças, mas de modo efetivo…

“Hoje, a vigilância dos quatro campi (Araranguá, Curitibanos, Florianópolis e Joinville) é feita por 47 servidores e 265 funcionários da empresa Khronos, que mantém contratos com a universidade desde 2005. A segurança universitária está em processo de terceirização desde que vaga foi extinta pelo Governo Federal.”

A vaga foi extinta, mas esquerdista não quer saber disso… O preconceito contra empresas terceirizadas impera. Eles querem tudo do governo ignorando que, ao contrário do servidor, se prestar um serviço ruim é mais fácil de ser substituído. Além de ser mais barato.

Observação interessante levantada pela matéria. Dos 47 servidores atuais, metade poderia se aposentar hoje, e 15 servidores aderiram à greve da categoria… Ou seja, segurança fazendo greve… “Que beleza…”

No final do artigo, está escrito:

“Um vigilante terceirizado custa à UFSC, por mês, R$ 2.127,48 [o salário médio do servidor é de 4 mil reais]. O salário bruto do funcionário é R$ 1.700. A empresa tem um lucro total de aproximadamente R$ 1.041.409, 40.”

Propaganda sutil da teoria marxista da mais-valia, que já está mais do que refutada e que só engana pessoas invejosas. Em pleno século XXI, tem gente que ainda condena o lucro (mesmo que sutilmente) ao invés de lutar para conquistá-lo. Eu dou a receita: gaste menos do que ganha e você terá lucro ao final do mês.

Na página 13, uma matéria mais descritiva e sem muito ponto de vista ideológico. Trata-se de descrever a realidade das “bocas” (locais de venda e consumo de drogas) que existem em torno da universidade. Uma parte merece destaque:

“Embora tenha sido o estopim para o conflito no bosque do Centro de Filosofia e Ciência Humanas (CFH), a maconha não é a droga mais consumida na Universidade. “Existe muito preconceito com a maconha, caracterizando o uso dela apenas por alunos do CFH. Nem todas as pessoas que vão ao bosque são de lá. Existem casos mais sérios em outros centros. Recentemente tivemos um grande trabalho para resolver o tráfico de drogas no Centro de Ciência Físicas e Matemáticas (CFM). “Temos casos de desvio de substâncias de laboratórios para a produção de drogas”, explica Sergio Schlatter Junior, diretor do Departamento de Assuntos Estudantis (DeAE).”

O CFH pode não liderar o ranking da maconha, mas certamente são os mais revolucionários. Não apenas fizeram resistência ao trabalho da polícia, como também tentaram fazer da UFSC um lugar de consumo livre de maconha. O CFM, levado ao destaque pelo tráfico, não invadiu a reitoria para tentar fazer o tráfico uma operação livre no campus.

Anteriormente a esta passagem, houve uma explicação bastante sensata de uma psicóloga a respeito do tema de consumo:

“[…] Para a psicóloga Daniela Schneider, o consumo de álcool e outras drogas é parte do contexto social e do imaginário da universidade. “Os jovens associam a entrada na universidade com um upgrade no processo de entrar na vida adulta, e isso inclui beber mais e usar drogas.

 

É o que constitui a base da identidade universitárias e é bem visível nos trotes. Lá, os colegas mostram para os que estão chegando o que é ser universitário”, afirma. […]“

Nisso já podemos perceber o estado da cultura universitária brasileira. O jovem quer dar um upgrade, sentir-se mais adulto, então acha que pode dar passos mais largos. É a estranha lógica de que se tornar mais adulto signifique aumentar o grau de imaturidade. A pessoa é tão adulta, tão “independente” que age igual uma “maria vai com as outras”. Depois os malvados, os atrasados são os conservadores malvados, porque se opõe a liberação das drogas…

Complementado:

“O vício depende de diversos fatores: ambiente em que o estudante vive, situação familiar, psicológica, entre outros. Schlatter aponta a mudança de hábito e a exclusão social como alguns dos motivos para a iniciação do consumo de drogas. “Os alunos estão entrando cada vez mais jovens na universidade e muitas vezes moram sozinhos pela primeira vez. Alguns vêm de cidades pequenas e quando chegam a Florianópolis passam por uma mudança radical de vida”, analisa.”

Na página 14, uma matéria a respeito dos estudantes que foram atingidos pela bomba. O artigo relata que alguns dos estudantes atingidos prestaram queixa que serão encaminhadas até a corregedoria da Polícia Federal.

Enfim, a pessoa está no meio do tumulto criminoso (resistência ao trabalho da polícia), acaba sendo atingida, fere-se e a culpa é da polícia que estava fazendo fazer cumprir a lei…

Na página 15, a matéria mais curiosa. O local onde ocorreu o conflito aconteceu próximo ao NDI (Núcleo de Desenvolvimento Infantil da UFSC), onde fica uma creche.

Resumo da opera: apesar de tentaram afastar as crianças do local e deixar as salas fechadas, uma quantidade de gás adentrou no recinto, levada pelo vento, e causou mal-estar a algumas crianças. Quem é o malvado da história? A polícia que tinha que fazer cumprir a lei e estava sendo ameaçada ou os estudantes e professores baderneiros que impediam a polícia de fazer o seu trabalho? Resposta do NDI: a polícia! E o pior, os pais caíram nessa.

Os esquerdistas usaram as crianças do NDI como escudo… Fumar e portar maconha próximo à creche mostra bem o coração deles.

“Segundo o documento [nota de repúdio do NID à atuação polícial], a “inconsequência e truculência” do ato das Polícias Federal e Militar “culminou num verdadeiro cenário de guerra colocando em risco a segurança das crianças e dos profissionais que ali estavam.”

Da hostilidade e depredação por partes dos estudantes que, digo novamente, impediam a polícia de seguir tranquilamente para o cumprimento do seu trabalho, não conta?

Aliás, com isso esclarece-se qual o teor das notas de apoio à UFSC. O NDI foi um dos que foram citados pela reitora [trecho da entrevista da reitora no artigo anterior].

“Isso não pode acontecer de novo. As crianças frequentam o bosque”, lembrou Bianca.”

Ptz, isso é grave! O que Bianca está dizendo é que as crianças frequentam um espaço bem próximo de onde o pessoal puxa a erva. Seria necessário avisar os maconheiros que próximo há duas instituições com crianças…

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Por último, na contra-capa, a matéria mais esquerdista do jornal. O título já dá conta de embelezar a ação dos maconheiros: “Ocupação de ideais”. O artigo é daqueles onde a esquerda tenta se limpar na própria merda:

“No fim do dia, barracas foram montadas e comissões definidas para viabilizar a ocupação, como de limpeza, comunicação e debate sobre opressões.”

Na lógica esquerdista, opressão só é válida contra às instituições burguesas, o que inclui, naturalmente, a polícia.

“Duas decisões foram acordadas: a proibição da entrada da imprensa e a não depredação do prédio. Um pequeno grupo considerou ilegítima a assembleia e o prédio amanheceu com frases na parede. […]“

Ah sim… Uma espécie de minoria dos ocupantes foi que pichou a parede enquanto estava todo mundo dormindo… Mas que coisa… A maioria dos ocupantes foi traída pela minoria de pichadores… As filmagens que mostram toda a agitação, com direito a jogar pontas de maconha como forma de provocação, dá um tom bem diferente do que é sugerido por essa passagem.

“[…] Na noite seguinte, surgiu a proposta de redigir uma nota para mostrar que as pixações desrespeitavam a decisão coletiva. “Tu é polícia agora para criminalizar pixação?”, ouviu-se no meio da plateia. A nota não foi aceita pela maioria.

O gato se escondeu e deixou o rabo de fora… Primeiro, as pichações foram feita na noite passada. A reunião para decidir uma nota desfavorável ao ato só foi realizada na outra noite. Tiveram um dia inteiro para resolver o problema com a suposta minoria dos ocupantes pichadores… Não apenas isso, mas o acontecimento mais evidente que vai contra a tese de que “foi uma minoria que pichou” é que a maioria vetou a nota que repudiaria a ação. A conclusão é clara: a maioria foi favorável à pichação!

“[…] A polêmica bandeira vermelha subiu no mastro na manhã de quarta-feira. A bandeira que havia antes, do Brasil, foi retirada por um servidor ao final do expediente do dia anterior, como de costume”.

Por que deixaram a bandeira vermelha e não colocaram a brasileira de volta? Os esquerdistas podem responder que a bandeira não estava acessível aos estudantes, já que o servidor que retirou. Mas como é que se explica, então, que a bandeira da reitoria foi parar no mastro do CTC? Os esquerdistas preferiram, e eles não estão sendo incoerentes nisso (nisso não), a bandeira vermelha que simboliza o comunismo.

“[…] Em qualquer momento, um cachorro entrava no prédio e deitava no colchão. Em qualquer instante, ouvia-se o choro ou riso de uma criança, filho de ocupantes”.

Ah… Mas que turma pacífica e tranquila… Só hostilizaram a polícia, depredaram carro, picharam a reitoria, subiram uma bandeira vermelha, cujo regime representado tem mais de 100 milhões de mortes nas costas… E detalhe, não poupam nem as crianças/filhos da desordem… Grande exemplo…

Segundo a matéria, quando o CTC foi trazer a bandeira de volta ao seu lugar de origem, o mastro em frente à reitoria, os ocupantes ainda foram gentis ao, após duas tentativas fracassadas, chamar o guindaste da prefeitura da UFSC. Pelo tom da reportagem, nem parece que houve provocações e gritos de ordem de ambos os lados… É como se ambos os lados tivessem saído vitoriosos…

A reportagem de contra-capa da edição especial foi muito bonita, muito bela. Esperamos então que nesse pacifismo repentino da esquerda, eles façam menos revolução, menos “maconhice” e que honrem os impostos dos brasileiros que são depositados na educação universitária.

Fonte: http://institutoshibumi.org/augusto/2014/04/comentarios-a-partir-do-jornal-zero-da-ufsc-parte-2.html

 

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