A grande ilusão da “Pátria Grande” latino-americana

Marcelo Carvalho*

O internacionalismo é uma das características do movimento comunista. Neste sentido, parte da ação global comunista consiste no fomento de estratégias para se criar, artificialmente, uma identidade entre nações diversas. Na América Latina, o Foro de São Paulo serve como agente articulador dessas ações elaborando diretrizes para que organizações locais, situadas nos países da região, implementem este projeto. O escopo dessas ações também é diverso e se manifesta em um espectro de organizações que engloba partidos políticos, sindicatos, universidades, movimentos sociais etc..

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Um exemplo concreto nós vemos aqui na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA). Os eventos patrocinados pelo IELA, principalmente as Jornadas Bolivarianas, servem de prova inequívoca de como esta mentalidade internacionalista vai sendo sutilmente traçada. Com efeito, a impressão que se tem é que as Jornadas Bolivarianas não passam de uma vitrine de legitimação de regimes autoritários, onde ministros, jornalistas e outros convidados tentam falar positivamente da ditadura dos irmãos Castro, ou dos terroristas das FARCS, ou do Socialismo do século XXI cujo modelo visível – a Venezuela – dá sinais evidentes de esgotamento e desintegração. Dada a escassez de opções para os próximos eventos, não me surpreenderia se o IELA tentasse melhorar sua imagem propondo a “canonização” do populista uruguaio Mujica e sua proposta de um Uruguai sem fronteiras.

Embora os estrategistas do internacionalismo comunista pretendam convencer a audiência de que somos parte de uma grande América Latina –  no dizer da esquerda, a “Pátria Grande” –, há um elemento que lhes foge do controle e que se manifesta na manifestação popular, que sempre se mostra incontrolável. Sim, tivemos um exemplo disso num jogo de futebol no Peru, neste mês, quando a mídia noticiou que um jogador brasileiro foi hostilizado por ser negro.  Ora, como podemos imaginar ser possível tal identidade latino-americana quando alguns de nossos vizinhos latinos parecem ver um típico cidadão brasileiro de forma tão inapropriada? Obviamente, mesmo desconsiderando este episódio lamentável de racismo há muitas outras indicações que mostram ser artificial tal proposta internacionalista, e é bom que isso se mantenha, afinal, a riqueza cultural advêm da afirmação do que é diverso e não de uma homogeneização forçada de interesses e objetivos.

Somos brasileiros e não estamos destinados a fazer parte de uma grande republiqueta socialista reunindo os países da América Latina, como muitos da esquerda preconizam. No lugar deste fracassado internacionalismo, que mal consegue esconder as intenções dos lesa-pátria comunistas, devemos pensar em ações que reúnam os países da região em torno de um movimento solidarista, sem pretensões políticas, solidarismo que é imanente nos povos da região, muitas vezes esquecido e pouco utilizado, e que é consequência direta daquilo que espanhóis e portugueses tinham em comum – sua herança cristã – ainda presente em todos os lugares desse vasto continente.

* É professor do departamento de Matemática da UFSC.

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