O aluno que disse não a Marx: entrevista com João Victor Gasparino

Estudante se recusa a fazer trabalho sobre Marx e ganha visibilidade ao escrever carta-manifesto. João Victor Gasparino explicou os motivos para não simpatizar com o marxismo

Estudante se recusa a fazer trabalho sobre Marx e ganha visibilidade ao escrever carta-manifesto joão victor gasparino,estudante,karl marx/Agencia RBS
João Victor Gasparino estuda na Univali, em Itajaí Foto: joão victor gasparino,estudante,karl marx / Agencia RBS

A última semana foi movimentada para o João Victor Gasparino, 22 anos. O estudante da 3ª fase do curso de Relações Exteriores da Univali, de Itajaí, ganhou notoriedade ao escrever uma carta (que deveria ser um trabalho universitário) explicando porque não gostaria de fazer um trabalho sobre o filósofo Karl Marx.

Primeiro, ele encaminhou o texto para uma amiga do blog Direita Já. Quatro dias depois, o conteúdo foi publicado no blog do jornalista Rodrigo Constantino da revista Veja. A partir dali, o conteúdo contra o marxismo se espalhou pelo país.

Nascido em Florianópolis, João Victor mora em Itajaí durante a semana, mas não gosta de falar sobre a vida pessoal. Ele afirma que deseja falar só o que tange à carta, à política brasileira e ao cenário acadêmico nacional. Ele frisa que a carta não é contra o professor (que prefere não identificar), mas contra a ideologia seguida pelas universidades.

Até a noite deste domingo, a reportagem não havia conseguido contato com a universidade para falar sobre o assunto.

Em que contexto a carta foi escrita?
João Victor Gasparino —
O contexto é a situação da educação em âmbito nacional, não no âmbito da minha universidade, muito menos contra o professor, mas contra o proselitismo ideológico em todo o meio acadêmico brasileiro, direta e indiretamente.

O propósito era ser um post no Facebook?
João Victor —
Primeiramente seria apenas para o professor, mas repito, não contra ele, apenas expondo minha opinião. Mas uma amiga blogueira do Maranhão, teve a brilhante ideia de publicar na internet, como exemplo.

Como você avalia a repercussão da carta?
João Victor —
Fiquei contente, porque eu queria um debate nacional. Com certeza, era uma panela de pressão prestes a estourar, sabia que tendo a iniciativa a repercussão seria enorme, tanto que atingi o objetivo de levar ao contexto nacional, pois o debate que levantei é uma questão nacional, que envolve todo o meio acadêmico brasileiro. Nas universidades é claro o meio ideológico e comunista e de poder.

Você entregou o trabalho que o professor havia pedido? E o professor ficou sabendo que a carta era para a disciplina dele?
João Victor — Não fiz o trabalho pedido, que era propor três questões sobre Marx. Entreguei a carta como trabalho e o professor já deu nota, mas ainda não vi qual foi.

Porque você é contra o marxismo?
João Victor — Minha educação sempre foi pela liberdade, pela vida, pela justiça acima de tudo. Os regimes comunistas se tornaram genocidas, trouxeram miséria e morte. Vejo que o Brasil caminha para ser uma Venezuela.

Você é filiado a algum partido? Pretende seguir carreira política?
João Victor — Já fui militante e simpatizei com a esquerda, mas não gostei do que vi. Hoje, sou assumidamente de direita. Já pensei em ser político, mas não há partido de direita no Brasil. Tem o PP e o DEM, mas não sinto que eles sejam “realmente” de direita.

Quais são seus planos daqui pra frente?
João Victor — Quero continuar tendo uma produção intelectual voltada à liberdade. Vou criar um blog para expor o que penso sobre a política brasileira e o cenário acadêmico nacional. Sinto que a guerra civil ideológica começou, pois eu apenas expressei o que muita gente gostaria de dizer. Outras pessoas começaram a escrever suas cartas contra a doutrinação socialista universitária e o projeto totalitário na América Latina.

Leia aqui a carta na íntegra

Fonte: http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2013/10/estudante-se-recusa-a-fazer-trabalho-sobre-marx-e-ganha-visibilidade-ao-escrever-carta-manifesto-4292115.html

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