O triste fim (provisório) do Centro de Difusão do Comunismo, e outras reflexões

Antonio Pinho
 
Enquanto na Romênia há um centro para o estudo dos crimes do comunismo, no Brasil havia o oposto, um centro não para denunciar o crime, mas para propagá-lo, e o pior, com verba pública.
 
Início de junho deste ano fiquei sabendo da existência de um núcleo chamado Centro de Difusão do Comunismo, sediado na Universidade Federal de Ouro Preto. Uma instituição pública mantendo em seu seio as mesmas idéias que mataram centenas de milhões de pessoas. Quem crê e faz apologia do crime é igualmente criminoso. Ora, apologia do crime é, obviamente, um crime. Um grande historiador da II Guerra Mundial, Victor Suvorov declarou, no livro O Grande Culpado, que a história da União Soviética deveria ser estudada pela criminologia. Não só a história soviética é um grande crime, toda a trajetória do movimento comunista é uma sucessão de crimes. O comunismo – e suas infinitas variantes – é o maior crime da modernidade, quiçá da história universal.

 

Enquanto na Romênia há um centro para o estudo dos crimes do comunismo, no qual o professor Olavo de Carvalho proferiu uma palestra sobre a mente revolucionária, no Brasil havia o oposto, um centro não para denunciar o crime, mas para propagá-lo, e o pior, com verba pública.

 

Os romenos sofreram na carne o peso de um regime baseado na psicopatia e no desprezo da dignidade da vida humana. E agora estudam o tempo do horror para, quem sabe não, repeti-lo. Os romenos estudam os crimes do comunismo com a autoridade de quem é testemunha ocular do crime, de quem sofreu na pele o horror comunista. Os brasileiros, por outro lado, que nunca sentiram na carne o peso do totalitarismo genocida, fazem questão de importar o crime de lugares em que as pessoas de bem fazem o possível para rejeitá-lo, como o caso romeno demonstra.

 

É um truísmo afirmar que a educação brasileira é completamente controlada pelo comunismo, que transformou o sistema educacional em ferramenta da revolução social, para destruir um sistema em que os valores nascem naturalmente da família e da religião, colocando em seu lugar um sistema revolucionário, em que os valores emanam do estado, que os controla e os planeja para os interesses do estado. Sobram coletividades, pessoas atomizadas e engolidas pelo estado, pelo Grande Irmão de Orwell.       

 

Mas essa destruição atualmente não se dá se forma explícita, por isso a aparição de um Centro de Difusão do Comunismo soa quase como uma figura mitológica que continua sendo objeto de culto na era da tecnologia. Do ponto de vista estratégico, esse Centro é um aborto. O bom comunista contemporâneo infiltra-se, ocupa os espaços, altera o sistema gradativamente desde dentro, de forma que no fim do processo, o povo converteu-se na coletividade revolucionária sem sabê-lo. Sendo comunista em ações, no plano das idéias o povo crê fielmente que o comunismo morreu. Como ocorre com grande parte da população atual. Mesmo entre os universitários pouquíssimos percebem que vivem num sistema que em grande parte (senão a maior parte) já é socialista. Esse é o comunismo “inteligente”, refinado do ponto de vista estratégico. Mas parece que a grande estratégia gramsciana, dominar pela cultura, deu um tiro no próprio pé. A revolução comunista na educação gerou um emburrecimento  geral das novas gerações. A nova geração de comunistas, criada nesse sistema Paulo Freire, é infinitamente menos qualificada do ponto de vista intelectual. A coletivização da educação revolucionária coletivizou a burrice, seja a burrice de direita ou de esquerda. Nesse quadro em que a cultura parece de Alzheimer em estágio avançado,  nasce o Centro para difundir o comunismo, que ostenta em seu próprio nome claramente os objetivos da propagação do uma forma totalitária de sociedade.

 

 Apesar dos largos passos dados pela revolução comunista no mundo, nos EUA de Obama, na França de Hollande, e principalmente na América Latina, ainda há espaços para ir contra o eclipse moral de nosso tempo. O juiz federal José Carlos do Vale Madeira, do Maranhão, suspendeu as atividades do Centro dos comunistas de Ouro Preto. Isso ocorre dois meses após a notícia desse Centro ter circulado a internet, chegando a ser citado na revista Veja e em artigo de Olavo de Carvalho. Esse centro nasceu em 2012, e um ano depois encontra seu fim. Erro estratégico! São comunistas analfabetos no próprio comunismo. Pelo que é possível ver no plano dos cursos que eram dados nesse centro, liam só Marx. Faltou incluir Gramsci na lista das leituras.

 

 A ação judicial contra o Centro é um ato simbólico, mesmo que não gere muitas conseqüências. Ainda que trevas morais e políticas cubram boa parte de nossa nação, há aqueles que, mesmo isolados, resistem. O ato do juiz Madeira foi movido por uma ação judicial popular. O herói nacional nessa luta contra o Centro comunista é Pedro Leonel Pinto de Carvalho, que entrou na justiça contra uma aberração educacional. Se ações assim de multiplicarem aos milhares, haverá esperança. A ação individual sobre problemas locais pode sim ajudar a moralizar a atmosfera coletivamente esquizofrênica.

 

Claro que os comunistas recorreram, e não podemos alimentar ilusões. É muito provável que em instâncias superiores esse processo caia nas mãos de um juiz comunista, e tudo voltará ao que era no início. Se chegar ao Supremo Tribunal Federal, hoje totalmente ocupado por agentes da revolução, aí mesmo que o Centro se fortalecerá. De qualquer forma, o fundador do Centro comunista continuará lá, na tranqüilidade de seu cargo público de professor, fazendo lavagem cerebral em seus pupilos. O fim do Centro de Difusão do Comunismo não significa que terminará a difusão do mal. Poderá (e creio que o fará) recriar a qualquer momento, outro centro com outro nome mais discreto, sem ostentar os símbolos comunistas, mas com o mesmo funcionamento, difundindo o mesmo vírus ideológico. Bastará ser mais gramsciano.

 

Mas, pensando de outra forma, nem quase tudo voltará a ser o que era, porque a ação simbólica não se perderá. Uma ação por menor que seja não pode ser desfeita. Fica um valor simbólico e um incentivo às novas gerações de que é possível lutar contra o crime e contra os proponentes de idéias criminosas, aqueles que corrompem a alma de uma nação movidos pelas obras de homens psicóticos como Marx, cuja mente era alimentada por “vapores infernais”, como escreveu em poemas de sua juventude, louvando ação destrutiva do grande Opositor de Deus.

 

O jovem Marx sonhava caminhar sobre os escombros de um mundo arruinado. Queria ser como Deus, pois se Deus cria, ele destruiria o mundo com suas idéias, igualando-se ao Criador. O século XXI é o próprio século dos escombros deixados pelo século XX. A revolução destrói e nada constrói. A educação revolucionária destruiu uma educação que no fim das contas educava. E o que colocou no lugar? Uma educação que não educa. Os responsáveis? São sujeitos como os do Centro comunista de Ouro Preto, que desistem de passar o legado cultural dos séculos que nos precederam – um legado que eles próprios desconhecem – e preferem “transformar” (leia-se “destruir”) aquilo que já está transformado. Querem destruir os escombros do cenário mesmo da destruição. E a destruição da destruição. Escombros sobre escombros. Cabe a nós caminhar sobre esses cacos, juntar um pedaço e outro, e lutar não pela “transformação social”, mas para que nossa alma não se deixe perder pelos erros desse século. Temos que transcendê-lo ancorados pelo legado dos sábios dos outros séculos, que também transcenderam seus séculos. Foram muito maiores que os erros de sua época, e sua voz ainda é audível a nós, enquanto os corruptores das almas estão para sempre silenciados.      

 

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A criação de um centro, que não se envergonha de ostentar a difusão do comunismo genocida, representa o sentimento inconsciente dos revolucionários de que eles venceram. Não é mais preciso se esconder, atuar no silêncio pela infiltração. É este um sentimento inconsciente, porque na consciência deles quem vence por toda parte é o Capital. Sua alienação cognitiva é tão grande que não conseguem ver que eles é que dominam o cenário. Não estão na periferia, mas no centro do processo. Não vão as vítimas, mas os algozes. Dizem que estamos na era da hegemonia do Capital, quando vivemos num tempo que a hegemonia é o pensamento revolucionário. Não vêem que a tradição é a própria revolução. Sua visão do real e de seus papéis sociais é completamente invertida. E nisso são bons comunistas, porque é próprio do marxismo inverter a estrutura do real, falseando-o.    

 

Por outro lado, o provisório fim, por via judicial, do Centro dos comunistas de Ouro Preto representa o início simbólico de um momento novo na história do Brasil, algo muito incipiente, que é um despertar nas consciências de uma nova geração para a estrutura objetiva da realidade, e do respeito pela tradição. Enfim, vejo que em muitos jovens brasileiros há o despertar desse longo sono. Um despertar para o real, o que é, no fim das contas, uma redescoberta da Verdade. 
 
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