O eixo dos protestos

Cristian Derosa

Os protestos dos últimos dias são parte de um programa organizado que têm como estrutura uma ampla rede de captadores de verbas de incentivo à cultura, mídias e movimentos sociais ligados ao Governo, financiados por empresas como a Petrobrás e que tem como principal fonte de apoio internacional a Fundação Open Society, do megainvestidor George Soros. Não há mistério nisso, já que toda essa rede tem suas relações abertas e declaradas em seus sites, bastando ao descrente averiguar por si mesmo seguindo caminho óbvio pelas fontes do dinheiro e das teorias amplamente difundidas nestes meios. O que pouco se sabe é o funcionamento interno dessa rede e que possibilitou a organização massiva dos protestos recentes.

O pretexto era o preço da passagem, mas o grupo que recebe dinheiro público é aliado de partidos de extrema-esquerda e cooptou punks para os protestos, transformando tudo em um emaranhado de pretextos subjetivos e gerais, difusos e sem representatividade clara, mas tudo sob as conhecidas premissas de uma mentalidade de esquerda. Até cristãos desinformados confundiram a “justiça” reivindicada com o Reino de Deus na Terra, patriotas nostálgicos e jovens idealistas ingênuos bradaram o “despertar do gigante”. Confusões que só pioram com a imbecilidade da cobertura midiática. É difícil desfazer um rolo destes, mas um pouco de informação e menos opinião sempre podem ajudar a clarear as coisas.

O sociólogo pós-marxista Alain Touraine, no livro Crítica da modernidade, identifica o movimento social como o “sujeito” que, afastado do conceito de “luta de classes”, transfigura-se em projeto cultural. Funciona como um criador de consciências e transformador da sociedade já que a consciência de classe não existe e deve ser forjada com a própria militância, como admitiu o também marxista Ernesto Laclau. Portanto, a única espontaneidade dos protestos é a do servilismo útil fruto da crença equivocada no domínio popular do sentido da história, alimentada por décadas de ensino e mídia revolucionária. Quando se trata de correntes de esquerda, a massa útil de indignados só serve de bucha de canhão para destruir a ordem estabelecida e fincar no solo destruído a bandeira totalitária.

O livro Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia, escrito em conjunto entre os principais articuladores dessa rede de captadores e empreendedores dos movimentos sociais, conta os bastidores do debate entre eles e o governo na busca de verbas e apoios institucionais para viabilizar essa rede de mobilização em massa que une partidos de esquerda e intelectuais das mídias digitais.

Essa rede é representada pelo movimento Fora do Eixo que “dispõe de 57 CNPJs de todo tipo: editora, produtora, bar, ONG, Oscip, fundação… Grande também é o número de cartões que eles podem utilizar para financiar projetos e despesas”.

“Vinte e oito pessoas têm a senha do cartão do banco e podem utilizá-lo livremente para suas despesas pessoais. Tudo que precisam fazer é discriminar e justificar o gasto. Em resumo: se você entra e trabalha para o Fora do Eixo, você tem todas suas despesas pagas. E esse tipo de remuneração é seguido por até 2 mil pessoas pelo país nos coletivos ligados ao circuito. […] É com esse orçamento ultrassocialista que alugaram, no começo de 2011, a casa em São Paulo, e estabeleceram ali a nova sede para uma nova fase. O Fora do Eixo montou seu quartel-general no coração do eixo. Agora, com a trama bem costurada em 112 cidades, a estratégia é ganhar o mainstream, atrair artistas com carreiras mais consolidadas e criar um polo para atrair gente, dinheiro e oportunidades” (Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia)

É claro que toda essa rede tem servido a projetos culturais, shows, festas e divulgação de artistas independentes etc. Mas foi justamente de dentro dessa estrutura de Ongs, Oscips e fundações que veio todo o apoio para a organização das manifestações. Mais do que isso: toda a teoria globalista de esquerda que propõe uma nova contracultura por meio de uma sonhada “regulamentação das mídias digitais” é difundida no Brasil por meio destes movimentos aliados à Marcha da Maconha, liberação de todas as drogas, cujo garoto propaganda é FHC, súdito de Lord Soros.

“O Fora do Eixo cria, portanto, uma geração que se utiliza sem a menor preocupação ideológica de aspectos positivos da organização dos movimentos de esquerda e de ações de marketing típicas dos liberais. É, como disse, o teórico da contracultura Cláudio Prado, a construção da geração pós-rancor, que não fica presa à questões filosóficas e mergulha radicalmente na utilização da cultura digital para fazer o que tem que ser feito”.

Durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Cláudio Prado foi “um dos principais braços na hora de abrir o acesso da molecada representada pelo Fora do Eixo em Brasília”. Suas reivindicações eram a ampliação do acesso às mídias digitais, regulamentação da mídia, descriminalização da maconha, entre outras. E foi grande a parceria e o apoio daquele ministério a este movimento, que praticamente fundou suas bases naquele governo. Acontece que o governo Dilma não manteve o mesmo nível de diálogo.

“O MinC hoje desconstruiu esse diálogo. Deixou órfãos milhares de esperanças. A perda desse diálogo do governo com a sociedade civil é que estamos chamando de retrocesso. Mas isso é um acidente de percurso – os movimentos desencadeados nos oito anos de Lula são inexoráveis”, diz Prado no livro e promete:

“O sonho não acabou não… Ele renasce tropicalista, na vocação plena do Brasil Fora do Eixo. O governo voltará a nos entender…”, garante.

Se os protestos se dirigem contra o governo Dilma, mas estão amparados por uma esquerda e extrema-esquerda unida em coro e dinheiro globalista, não será estranho se além das bandeiras da censura às mídias e a marcha da maconha, aparecer no cenário uma grande onda de “Lula lá” ou pior.

Para quem achou a transição de um governo da esquerda fabiana (FHC) a um governo sindicalista (Lula) um rumo mais à esquerda, espere para ver a próxima etapa, já que os atuais líderes dos protestos julgam o PT um partido elitista e burguês. Eis o grande “salto” prometido na propaganda do partido. Um salto ao abismo.

Fonte: http://cristianderosa.wordpress.com/2013/06/18/o-eixo-dos-protestos/#comments 

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