Idade das trevas? Só na sua cabeça. Ou: porque a Idade Média fundou a ideia da família tradicional

Alessandro Barreta Garcia

Nota-se em Cambi (1999) que o sentimento no início da Idade Média era solidário, igualitário e de amor. Nesse período passa-se a existir uma reinvenção da família, não mais baseada no autoritarismo do direito romano, e sim, no amor entre seus componentes: pai, mãe e filhos. Esses novos valores, pelos quais são antagônicos aos valores da Antiguidade, na Idade Média fazem parte de uma nova atmosfera. Nesse sentido, e sem dúvida, a igreja é que mais contribuiu para este novo ambiente.

Segundo a brilhante historiadora Régine Pernoud (1997), a interpretação básica e superficial de uma Idade Média dividida em três estados, não dá conta de explicar o período como um todo. Levanta a tese de se estudar a Idade Média sob a perspectiva das relações familiares. Sendo efetivamente a família o centro da vida em comunidade.

É importante lembrar que para Aristóteles a cidade é uma junção de pequenas famílias, que formam um povoado e a junção de vários povoados formam, finalmente, a cidade (GARCIA, 2011). Na Idade Média tudo será relacionado à família. Não como uma relação de direito, e sim, como uma relação de amor.

Na Idade Média, os antepassados são lembrados e sua fama atual era de fato dependente do que seus ancestrais fizeram, o quanto foram bravos e corajosos. Na história francesa as linhagens atravessaram o tempo, e estabelecem uma hereditariedade patrimonial, isto, muito em função de seu caráter familiar.

Pernoud (1997) acrescenta que se opondo ao regime antigo (da Antiguidade grega principalmente), a Idade Média coloca a família no lugar do individuo (do cidadão). E nesse caso avança como recurso civilizatório.

Conforme Garcia (2011), na Antiguidade o ser humano é subordinado à cidade, assim como a mulher e a criança são subordinados aos homens. Obviamente em função de uma sociedade patriarcal, tal organização social se constituía com naturalidade. Na Antiguidade, mulheres e crianças figuram-se como propriedade dos homens.

Na Idade Média, passamos da época do individuo para a época da família. Pernoud (1997), nota, que a Antiguidade é a época das biografias, de Péricles, Alexandre, Sila, Júlio Cesar entre outros. Na Idade Média, observa-se a época das linhagens, dos ancestrais. Entretanto, desde os romanos que estas linhagens já se faziam importantes. Na Idade Média se completam.

Para Pernoud (1997), em meio à tragédia e decadência dos primeiros anos da Idade Média, sua única salvação se dava no universo familiar. Na França, a unidade nacional já era observada prematuramente, em destaque a Igreja é que ajustou a vida bárbara ao status de homem civilizado. Nas linhagens imperiais, cuja característica fundamental se deu por meio de uma nova composição, a família foi o fator determinante.

As contribuições são diversas para a valorização dessas linhagens familiares, desde o próprio Império romano, até os povos bárbaros. Enquanto na Antiguidade se baseava na autoridade do homem, na Idade Média a solidariedade e o bem comum da família tornam-se o elemento essencial.

Conforme Pernoud (1997, p.7):

Em certas províncias, particularmente no Norte da França, o habitat traduz este sentimento da solidariedade: o principal compartimento da casa é a sala, a sala que preside, com a sua vasta lareira, às reuniões de família, a sala onde se reúnem para comer, para festejar nos casamentos e nos aniversário e para velar os mortos; é o hall dos costumes anglo-saxões — porque a Inglaterra teve na Idade Média costumes semelhantes aos nossos, aos quais permaneceu fiel em muitos pontos.

Assim, a família na Idade Média foi definitiva para re-civilizar o ocidente. Nela, foram gestadas as bases para o desenvolvimento das grandes nações, bem como de suas unidades nacionais.

Na figura do homem, não se observa mais uma autoridade absoluta e sim um gerenciamento do lar. A perpetuação da família ocorre na Idade Média não só pelo matrimonio, e sim, também como garantia do futuro.

Em nossos dias estamos perdendo esse legado, esse patrimônio que é a família. No Brasil, sobretudo a esquerda é que mais se mostra empenhada na destruição da primeira célula, a mais importante, a família. No futuro saberemos as conseqüências que o marxismo cultural nos legará. Ou que já nos legou. Assim, fica a cada dia mais imprescindível um novo Papa, mais conservador, sobretudo que combata a nova ordem mundial, essa que sobre o ponto de vista político e ideológico quer a todo custo eliminar a família. Vida longa ao novo papa.

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Referências

CAMBI, F. História da pedagogia. Tradução: Álvaro Lorencini – São Paulo: Fundação Editora da UNESP (FEU), 1999.

GARCIA, A. B. Aristóteles nos manuais de história da educação. 1. Edição, São Paulo: Clube de Autores, 2011.

PERNAUD, R. Luz sobre a Idade Média. Sintra: Europa – América, 1981.

Fonte: http://aliancacidada.wordpress.com/2013/03/18/idade-das-trevas-so-na-sua-cabeca-ou-porque-a-idade-media-fundou-a-ideia-da-familia-tradicional/

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