Antidepressivos e violência: uma investigação

Peter R. Breggin

Em um grande número de casos as drogas psiquiátricas contribuem para horrendos atos de violência.

Grandes esforços são realizados pela indústria farmacêutica para evitar que o público e os professores da área de saúde saibam que as drogas antidepressivas podem causar violência e suicídios.

Joe Wesbecker ameaçou seus colegas no passado, mas nunca foi violento. Em 1989 iniciou o uso do Prozac (fluoxetina). Um mês depois ficou agitado e delirante. Suspeitando da medicação, seu psiquiatra suspendeu-a. Dois dias depois, ainda com altas concentrações da droga no seu organismo, Wesbecker, fortemente armado, dirigiu-se a seu antigo trabalho em Louisville, Kentucky, e matou oito pessoas ferindo muitas outras.

Os sobreviventes e os familiares dos falecidos processaram o laboratório Eli Lilly por negligência no desenvolvimento e propaganda do Prozac e o caso foi a julgamento em 1994. Numa nova ação contra o laboratório Ely Lilly, um consórcio de advogados e um tribunal de Indiana me nomearam como especialista médico e científico para o estudo das responsabilidades sobre a produção de mais de cem produtos ligados ao Prozac e sua relação com violência e suicídio. Com esta nomeação tornei-me o consultor no caso de Wesbecker. O advogado de acusação morreu e foi substituído por outro que parecia frustrar todas as minhas tentativas para preparar nosso caso. Ele não me comunicou sobre o número imenso de novas informações e não respondia aos meus telefonemas. Na véspera do julgamento ele ainda se recusava a discutir qualquer coisa comigo e, frustrado, empurrei uma série de notas cuidadosamente preparadas por mim, dizendo: ‘Se você não me perguntar estas questões, perderemos o caso’.

Quando testemunhei o advogado fez de tudo para sufocar meus mais importantes testemunhos contra o Eli Lilly. Vários jurados votaram pela tese da negligência do laboratório, mas este ganhou por 9 a 3. Um único voto a mais tornaria o júri incapaz de tomar uma decisão. (N. do T.: 8 a 4 é considerado assim nesses casos). Eli Lilly e a grande mídia relataram que o júri isentou o laboratório e a marca Prozac de qualquer responsabilidade para sempre.

Posteriormente eu não sabia se o advogado era incompetente ou, como minha mulher Ginger suspeitava, tinha sido comprado antes pelo laboratório para perder a causa. O juiz, John Potter, descobriu mais tarde que o julgamento tinha sido arranjado.

O juiz Potter desconheceu o falso julgamento mudando o resultado para ‘prejuízo’ em relação à companhia. Mas a grande mídia não deu cobertura à nova direção tomada pelo caso. Apesar de eu ter escrito extensamente sobre o assunto em meu livro “Medication Madness” (2008), o verdadeiro resultado do julgamento permanece até hoje desconhecido, até entre os psiquiatras e especialistas em assuntos legais.

Columbine

Em 1999 Eric Harris, juntamente com Dylan Klebold matou vários estudantes e um professor na Columbine High School in Colorado. Eu fui o especialista em psiquiatria em diversos casos que tratavam do massacre de Columbine, e nenhum deles foi a julgamento. Através da documentação médica descobri que Harris usava o antidepressivo Luvox por prescrição médica há um ano, antes dele se tornar profundamente perturbado. Harris permaneceu tomando Luvox por um ano tornando-se tomado pelo ódio e pela violência. Na necropsia ele tinha um elevado índice de Luvox no sangue.

Em Manitoba, Canadá, um garoto de 16 anos subitamente enfiou uma faca no peito de um de seus melhores amigos, matando-o. Ele não tinha história de violência ou doença mental séria e estava tomando Prozac há três meses antes deste assassinato. Quando sua mãe disse ao psiquiatra que Prozac estava piorando seu filho, o médico aumentou a dose. Dezessete dias depois, sem nenhuma provocação, ele matou seu colega.

Aurora

Antes do massacre no Cinema de Aurora, Colorado, em 2012, James Holmes estava sob tratamento psiquiátrico pela clínica da universidade. Já que ele estava com um psiquiatra preocupado com sua periculosidade, era certo que Holmes estava ou tomando medicação psiquiátrica ou andava fugindo da medicação na ocasião do massacre. Não sabemos se o atirador em Newtown, Adam Lanza, tomava medicação psiquiátrica, porém num artigo de 14 de dezembro no Washington Post, um amigo da família disse que ‘ele estava sendo medicado’. Há inúmeras evidências de que ele era anti-social e tinha sido diagnosticado psiquiatricamente e tratado.

Notem que todos os cinco (Wesbecker, Harris, Holmes, Lanza, e o adolescente canadense) estavam sob cuidados psiquiátricos antes ou quando cometeram seus crimes. Acrescente-se que o atirador na Virginia Tech estivera hospitalizado um ano antes de matar seus colegas.

Esses eventos confirmam que o envolvimento em tratamentos psiquiátricos com ênfase nas drogas psicoativas não protege contra horrendos atos de violência. A psiquiatria é a causa, não a cura, da violência em massa, e buscar ajuda na psiquiatria apenas nos impede de procurar soluções genuinamente efetivas.

Peter R. Breggin é psiquiatra e autor de vários livros e artigos científicos sobre os efeitos adversos das drogas sob prescrição, incluindo “Medication Madness” (2008). Seu ultimo livro é “Psychiatric Drug Withdrawal: A Guidebook for Prescribers, Therapists, Patients and Their Families” (2013).

Tradução: Heitor De Paola

Anúncios

Os comentários estão desativados.