O que explica a reação conservadora no mundo?

ipcoO que o movimento conservador no Brasil precisa fazer é alertar a opinião pública — conservadora, mas adormecida — e fazê-la reagir. Isso explica as dificuldades que o governo do PT enfrenta há 10 anos para tentar aprovar o aborto e a “lei da homofobia”.

Fonte: http://conservador.blog.br/2013/02/o-que-explica-reacao-conservadora-no.html 
Autor: Edson Oliveira

No dia 21 de fevereiro de 2013 realizou-se mais um importante evento promovido pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira no Club Homes, situado na Avenida Paulista, famosa artéria da pauliceia.

Aproximadamente 150 pessoas compareceram para ouvir três conferencistas versarem sobre as reações conservadoras que estão sendo suscitadas no Brasil e no mundo, polarizando a opinião pública e colocando sérios obstáculos à marcha do processo revolucionário.

Mas qual é a origem dessa reação tão diversa em vários países, promovida muitas vezes por jovens cuja formação foi a do século, mas que estão abrindo os olhos e resolvendo enfrentar a avalanche revolucionária?

A resposta a esta pergunta foi o que o público presente ao evento quis ouvir com atenção.

O primeiro indício da resposta foi fornecido pelo presidente doInstituto, Dr. Adolpho Lindenberg [foto], que abriu a evento fazendo a apresentação dos conferencistas e enfatizando que as reações conservadoras têm sua fonte primeira em uma graça suscitada pela Providência Divina.

* * *

O Dr. Nelson Ribeiro Fragelli [foto], diretor do instituto italianoVoglio Vivere, começou sua palestra de maneira inusitada. Como um impressionista, foi pintando na imaginação dos ouvintes um quadro discorrendo sobre a história de Nossa Senhora de Lourdes e a vitória que, em pleno século XIX dominado intelectualmente pelas correntes positivistas, iluministas e pelo ateísmo crescente, Maria Santíssima obteve através de uma menina e de um povo simples que ainda tinha Fé, vencendo todos os obstáculos que o establishment da época tentou colocar contra as aparições na gruta de Massabielle.

As proibições da prefeitura da região de Lourdes (França), que apoiada pelo governo de Napoleão III impediam o povo de visitar o local das aparições a Santa Bernadette, colocando uma cerca em volta da gruta com guardas para a vigiarem, pareciam suficientes para combater a “superstição”.

Mas qual não foi a surpresa do administrador da região ao ser procurado pelo chefe da guarnição, que com a roupa toda rasgada fora avisá-lo do inesperado: os fiéis da região haviam expulsado os guardas — alguns dos quais aderiram ao povo — e removido a cerca.

Foram as fibras suscitadas por Nossa Senhora na alma daquele povo simples que lhe deram coragem para enfrentar a onda anticatólica e ir contra a corrente do momento.

E assim como os fiéis reagiram para defender o local das aparições de Nossa Senhora de Lourdes — alvo, naquela época, de todas as correntes anticatólicas —, em nossos dias a Virgem Mãe de Deus também faz florescer tais fibras no fundo das almas, para que estas possam defender o que hoje é a “gruta Massabielle” que os revolucionários procuram combater: a instituição da família.

O Dr. Fragelli mencionou que na França a família é o único tema que nas pesquisas de opinião recebe o apoio de pessoas de todas as vertentes (esquerda, centro e direita). O que explica a extraordinária marcha contra a aprovação do “casamento” homossexual, ocorrida recentemente em Paris, que contou com quase 1 milhão de participantes.

Segundo os franceses, é preciso lutar para que a família não pereça. E eles parecem dispostos a fazê-lo, do mesmo modo como o povinho que outrora lutou para proteger a gruta de Lourdes.

No tocante à Itália, o Dr. Fragelli falou inicialmente da influência de Plinio Corrêa de Oliveira nos movimentos conservadores daquele país. Mostrou, a título de exemplo, o recente livro intitulado Spaghetticons, de Luigi Copertino, no qual este descreve as origens do neoconservadorismo na Itália e a importância dos escritos de Plinio Corrêa de Oliveira sobre o mesmo.

O conferencista ressaltou também as reações conservadoras na Hungria, cujo governo saído das últimas eleições fez uma nova Constituição de teor conservador e católico. Apesar de Victor Orban, o atual presidente, ser de origem calvinista, em conferência pronunciada no ano passado na Espanha, ele afirmou que a Hungria é “Terra de Maria”.

O Dr. Nelson Fragelli observou com muita propriedade que certamente essas atitudes inesperadas do povo húngaro provêm das graças obtidas pelo martírio do heroico cardeal József Mindszenty, que sofreu indizivelmente nas masmorras comunistas por não aceitar a coexistência com o governo marxista.

Os mentores da União Europeia laica e anticatólica não estarão hoje surpresos por esses acontecimentos como outrora o prefeito da região de Lourdes diante da reação de simples almas em defesa de uma gruta? Com essa pergunta o Dr. Nelson Fragelli deu o último toque de pincel em seu quadro sobre a situação da Europa, e afirmou: “Maria Vincit!”.

* * *

O próximo conferencista, Dr. Mario Navarro da Costa [foto], diretor de campanhas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, tratou sobre os movimentos conservadores nos Estados Unidos. Descreveu em linhas gerais a importância dos EUA para o processo revolucionário no passado, e as esperanças que seus fundadores nutriam de criar um novo país tendo por base os ideais da Revolução Francesa.

Mostrou também toda a influência que Hollywood teve — e ainda tem — na Revolução Cultural visando a mudança da mentalidade dos povos. Apontou para o avanço revolucionário relativo ao “casamento” homossexual — já aprovado em vários Estados —, à imposição da aceitação de homossexuais nas Forças Armadas e nos grupos escoteiros, aos 40 anos da aprovação legal do aborto em qualquer momento da gestação e à investida socialista na econômica. Perguntou em seguida ao auditório se dentro dessa loucura era possível existir alguma reação sadia.

O Dr. Mario Navarro explicou que há nos EUA uma enigmática coexistência de fatores bons e maus, mas que existe uma ascensão, já iniciada há décadas, do conservadorismo militante. Nos momentos em que a Revolução dá seus últimos golpes no que restou da civilização cristã, no ocaso dessa civilização surge a aurora de uma graça nova, uma graça semelhante à que o Filho Pródigo do Evangelho recebeu, de voltar à casa paterna.

Segundo o palestrante, nos EUA as pessoas despertaram para o fato de que na luta contra a destruição dos valores importam não apenas as eleições, mas também atuações no campo da cultura. Ele exemplificou com o fato de que mesmo durante os governos de Reagan e dos dois Bush (pai e filho) a revolução cultural não parou de avançar.

Destacou ainda a importância que a TFP americana sempre atribuiu à necessidade de alertar a opinião pública sobre os problemas culturais, e das iniciativas que a entidade empreendeu nesse sentido — a mais recente das quais foi a publicação do livro Return to Order.

* * *

A última palestra coube ao jornalista Nelson Ramos Barreto [foto]. Ele afirmou que longe de ser otimismo falar de florescimento dos movimentos conservadores no Brasil, que este é um fenômeno observado até por elementos da esquerda, como o escritor francês Gilles Kepel, que em seu livro intitulado A Revanche de Deus comenta e lamenta a crescente onda do espírito religioso no mundo.

Outro ponto importante foi sua explicação de como é a vertente conservadora no Brasil. Sempre que há consultas de opinião pública, fica patente que o público brasileiro é conservador, especialmente em pontos referentes à família.

Mas como explicar que essa mesma massa conservadora eleja políticos de esquerda que projetam leis contrárias aos anseios desse eleitorado?

A resposta é que, embora exista, o conservadorismo brasileiro não é ideológico. E, portanto, as vitórias eleitorais obtidas pela esquerda não representam uma vitória do socialismo. Decorrem de manobras eleitorais (que evitam tratar de assuntos como aborto, homossexualismo, maioridade penal, etc.) visando a perpetuar-se no poder, tentar aprovar subrepticiamente projetos de lei antifamília no Congresso, etc.

O que o movimento conservador no Brasil precisa fazer é alertar a opinião pública — conservadora, mas adormecida — e fazê-la reagir. Isso explica as dificuldades que o governo do PT enfrenta há 10 anos para tentar aprovar o aborto e a “lei da homofobia”.

O Dr. Nelson Barreto enfatizou um importante exemplo dessa reação no Brasil. Quando das últimas eleições presidenciais, a esquerda esperava uma vitória da candidata Dilma no primeiro turno. Mas quando diversos segmentos conservadores da sociedade e um corajoso bispo levantaram o tema do aborto, as eleições foram empurradas para o segundo turno.

Tornou-se tão incerta a vitória de Dilma, que esta se viu obrigada não somente a fazer discursos ambíguos sobre sua posição a respeito desse tema, mas a visitar o Santuário de Aparecida — onde, aliás, fez o Sinal da Cruz de modo errado.

O palestrante falou também da crise na Igreja e do surgimento de seminaristas e padres jovens mais conservadores e com anseios da doutrina tradicional da Igreja. Isso apesar de toda a influência e controle ainda exercido por elementos progressistas dentro desses mesmos seminários. Como explicar isso se não uma interferência da Providência Divina nas almas?

* * *

O Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança [foto, à esq.], finalizou brilhantemente o evento reafirmando que essa reação — que se desenvolve debaixo do domínio da esquerda — é realmente uma ação de Nossa Senhora, e incentivou a todos os presentes com as seguintes palavras: “‘Não tenhais medo’, recomendou Nosso Senhor Jesus Cristo a seus discípulos. ‘Não tenhais medo’ de ir contra a corrente da laicidade, das pseudoverdades que a propaganda e o sistema querem nos impor!

“Saibamos, como dizia São Luiz IX, ‘enfrentar as coisas do ponto mais alto do nosso batismo’. Saibamos proclamar a nossa Fé, os nossos princípios, certos de que, como afirmou o Professor Plinio Corrêa de Oliveira no seu livro Revolução e Contra Revolução: ‘Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus. são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também susceptíveis. Ressurreições invencíveis, porque nada há que possa vencer um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus'”.

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